
Níveis de medo e a relação com a agressão ou fuga
Para que se faça compreender a relação entre medo e suas respostas de luta ou fuga, primeiro é necessário compreender o que é o medo.
O medo
O medo é uma das emoções mais primitivas, se não for a mais primitiva. Ele é responsável pela sobrevivência do indivíduo. É uma resposta do organismo diante de uma ameaça objetiva à própria existência.
É um processo acionado pelo cérebro ao identificar uma situação potencialmente perigosa a vida. Ao fazer a identificação, o cérebro libera um conjunto de hormônios, tais como adrenalina e noradrenalina, que eliciam uma série de mudanças no organismo.
Pode-se perceber mudanças como, aumento da pressão arterial e batimentos cardíacos, fenômeno “visão de túnel” deixando a pessoa extremante focada e vigilante, etc. O sangue é redirecionado de lugares menos importantes, como intestino (intestino para de peristaltar, por isso o frio na barriga e a expressão “caguei de medo”) e rosto (“pálido de medo/susto”). E direcionado para lugares mais importantes, como os grandes músculos.
Essa série de mudanças, e muitas outras que não são percebidas fazem parte de um programa de ação que prepara o indivíduo para dois comportamentos: LUTA/AGRESSÃO ou FUGA.
A decisão de LUTAR ou FUGIR está relacionada com o nível do medo em cada situação
A resposta entre agressão e fugir está diretamente relacionada com o nível de medo que o indivíduo tem com determinada situação.
Quando nível de medo é baixo, é maior a probabilidade de o organismo apresentar algum tipo de comportamento agressivo. Isso pois, ele estará mais confiante para efetuar um ataque ao que lhe impõe medo.
Em níveis medianos de medo, a probabilidade maior é a de fuga. Quando se está com medo de algo, a chance maior é de tentar escapar, evitando assim o conflito, que por sua vez pode ser prejudicial a manutenção da vida.
Já em níveis elevados de medo, há uma maior chance de agressão. O motivo é que grandes níveis de medo o indivíduo é mais propenso a entrar em pânico. Nessa situação, pode acabar atacando qualquer coisa ao seu redor, mesmo as que não são ameaça.

Quando se tem um problema de comportamento indesejado em um indivíduo, exemplo: em um cão, e esse problema é resultado de um processo envolvendo o medo. Deve-se avaliar também o nível de medo em que se encontra o cão. Tendo em vista, que a abordagem deverá ser diferente para cada nível, ou não surtirá o efeito desejado. Podendo assim, acabar por intensificar o comportamento indesejado.
Um exemplo disso é cães agressivos com pessoas, mas com baixo nível de medo, quando confrontados, acabam enfrentando os tutores, que por não saberem como proceder nessa situação, acabam reforçando o comportamento agressivo em seus cães, ficando então, ainda mais agressivos.
Comumente os tutores buscarem soluções na internet para problemas com seus cães. Isso é ótimo. O problema é que o artigo na internet traz uma solução, mas sem considerar o nível de medo, pois isso é inerente a cada indivíduo e a cada situação. A solução proposta funciona, porém, não todos os casos.
Nesse momento que surge a necessidade de buscar auxilio de um profissional qualificado para propor a solução correta do problema em questão. Dessa forma, evitando desgaste tanto para o cão quanto para a família.
Sendo assim, se estiver em dúvida quanto a abordagem correta, entre em contato com um adestrador profissional.